domingo, 8 de janeiro de 2017

Guia para se tornar um expert em Inventário Florestal

Com o crescimento e disponibilidade da tecnologia, e também com a constante pressão dos órgãos ambientais, os inventários florestais se tornaram muito mais complexos e detalhados


O inventário de florestas nativas, durante muito tempo, foi realizado por meio de simples levantamento do número de indivíduos de grande porte, com a intenção de serem explorados, resultando numa visão simplista e às vezes equivocada da verdadeira condição de desenvolvimento do ecossistema onde está inserido.
Com o crescimento e disponibilidade da tecnologia, e também com a constante pressão dos órgãos ambientais, os inventários florestais se tornaram muito mais complexos e detalhados. Diante dessa nova visão, os inventários, que na maioria dos casos eram realizados para quantificação do volume de madeira existente na floresta, passaram a ser utilizados para determinação de outros parâmetros, como volume total, volume comercial, estágio sucessional da floresta, a avaliação da regeneração natural das espécies, e outras peculiaridades do inventário florestal.
De acordo com especialistas da área, o Inventário Florestal é um processo que visa disponibilizar as informações qualitativas e quantitativas dos recursos florestais existentes em uma determinada área.
Dessa forma, para execução de um Inventário Florestal, deve-se considerar o planejamento das ações no campo como, alocação das parcelas no mapa para definição de acessos e cronograma de ação; o levantamento de dados biofísicos a partir da alocação de parcelas amostrais, coleta dos dados no aplicativo Mata Nativa para realizar o cálculo do erro de amostragem e suficiência amostral em campo, bem como as análises críticas para definir impactos ambientais e ações mitigadoras, que irão compor o Relatório Técnico.
Diante do exposto, deve-se elaborar um plano de execução que deverá constar a definição da equipe técnica, definição da metodologia a ser utilizada, bem como o levantamento da legislação e normas técnicas aplicáveis, na esfera federal, estadual e municipal.
Posteriormente, deve-se realizar, através de dados secundários, o diagnóstico ambiental da área de estudo através de uma completa descrição e análise dos fatores ambientais físicos (relevo, hidrografia, solos e clima) e bióticos (flora e fauna) e suas interações, de modo a caracterizar de forma qualitativa a situação ambiental da área de estudo. Geralmente, para caracterização e identificação da flora são coletados dados primários e dados secundários. Para os demais fatores ambientais serão pesquisados apenas os dados secundários e confirmados com observações em campo.
Os dados secundários são obtidos através de estudos ambientais disponíveis já realizados nas áreas previstas para execução dos serviços. Essas informações são importantes para uma análise prévia da área de trabalho, possibilitando um planejamento mais eficiente das ações.
A obtenção de imagens de satélite georeferenciadas da área a ser inventariada é de suma importância para os trabalhos de campo, as quais encontram-se disponíveis através de softwares e aplicativos gratuitos. Tais imagens auxiliam na definição das áreas amostrais e a viabilidade de seus acessos.
Nesta etapa, a equipe deverá realizar uma avaliação prévia no trecho, observando acessos, estradas, cursos d’água, benfeitorias, fitofisionomias encontradas, feições específicas da região. Este mapa servirá de base para o planejamento da logística do trabalho de campo a partir da alocação das unidades amostrais.
É de grande importância realizar a delimitação das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como identificação de áreas degradadas e desflorestadas e possíveis corredores ecológicos e/ou conexões existentes com outros fragmentos.
Diante do exposto, o número de parcelas a serem alocadas em campo poderá ser definido através da porcentagem de amostragem. Como exemplo, uma área de 150 ha, considerando 1% a ser amostrada, e considerando parcelas de 500 m2, deverão ser alocadas 30 parcelas, ou seja, uma parcela para cada 5 ha. No entanto, este número poderá ser ajustado para atender o limite de erro de amostragem (E%) admissível pela legislação em vigor. Utilizando o aplicativo Mata Nativa Móvel o E% é calculado em campo, subsidiando a decisão para finalizar as atividades de campo.
Para demarcação das parcelas em campo, a equipe deve utilizar instrumentos métricos de precisão (trena física e/ou digital) e GPS para que todas as parcelas tenham mesma dimensão e possam ser georreferenciadas. Uma forma física de demarcar as parcelas é utilizando piquetes de madeira e fita zebrada, garantindo a localização para posterior vistoria do órgão de fiscalização. É muito importante a documentação através de fotos digitais para elaboração do relatório fotográfico.
Com o aplicativo Mata Nativa Móvel, é possível coletar as coordenadas geográficas do início e fim da parcela, no caso de formato retangular de unidades de amostra, e também salvar as fotos através do aplicativo, agrupando-as por parcelas.
Com as parcelas demarcadas, deverão ser coletados o CAP de acordo com o nível de inclusão de interesse (ex: CAP>15 cm), altura comercial e altura total dos indivíduos arbóreos presentes na parcela. Dependendo do objetivo do inventário, poderão ser coletadas informações qualitativas como, sanidade do fuste, tortuosidade e infestação por cipó. Também com o uso do aplicativo Mata Nativa Móvel, é possível medir a altura das árvores, através do celular.
O CAP deverá ser medido na altura de 1,3 m do solo utilizando-se um gabarito como referência. Entretanto, podem existir situações em que a medição deverá ser realizada imediatamente abaixo ou acima, no caso da presença de galhos, cipós ou outras formas de empecilhos que mascarem a real medida do fuste. Ao utilizar fita métrica para medir o CAP, é importante que a fita abrace todo o fuste de forma perpendicular evitando a interferência de galhos e nós.
É importante lembrar que a coleta de dados em campo deverá ser realizada com toda a equipe utilizando equipamento de proteção individual (EPI´s) com o objetivo de garantir a segurança da equipe e a perfeita execução dos trabalhos.
De posse das informações de campo, para realizar o processamento dos dados de forma rápida, precisa e confiável, a dica é utilizar o software Mata Nativa 4, o melhor e mais completo sistema para elaboração e processamento de inventários florestais. Os cálculos e resultados obtidos através do software atendem a legislação de todos os estados do território nacional.
O processamento dos dados coletados durante a campanha de campo de um inventário florestal pode ser considerada uma tarefa minuciosa e complicada, visto que envolve uma série de variáveis que serão utilizadas para cálculos e estimativas que irão compor os resultados do estudo.
A realização da coleta de dados em campo, basicamente, circunferência a altura do peito (CAP), altura total, nome vulgar, número da árvore sequencial dentro da parcela, número dos fustes em caso de árvores bifurcadas, irão compor os dados para processamento do inventário florestal.
Primeiramente, deverá ser realizada a identificação botânica dos indivíduos a partir de amostras vegetativas dos indivíduos, e com auxílio de consultas bibliográficas, conhecimentos técnicos de membros da equipe e comparações com trabalhos já realizados nas proximidades da área são de grande importância. Sempre que possível, a confirmação deve ser feita em herbários com a verificação de especialistas da área.
Com a lista de espécies fechada, a planilha de campo deverá passar por uma fina consistência dos dados, onde deverão ser conferidos os nomes científicos, a família botânica e nome vulgar, para que todos os nomes se encontrem com mesma ortografia, para que não haja duplicação de nomes. Posteriormente deverão ser conferidos os diâmetros e alturas, em busca de números que destoam da realidade observada em campo. Número de árvores e fustes também devem ser conferidos. No software Mata Nativa 4 a consistência dos dados é realizada durante a importação dos dados, e indica a linha onde contém erro para que possa ser corrigido, o que torna uma funcionalidade diferenciada da versão 4.
Após a minuciosa consistência dos dados, o processamento consiste em realizar os cálculos e estimativas como Amostragem, Florística, Diversidade, Estrutura Horizontal, Estrutura Vertical, Estrutura Diamétrica e Estrutura Paramétrica da população, dentre outras análises que podem ser realizadas.
Amostragem
A amostragem casual simples consiste na alocação de parcelas de forma aleatória visando representar do a área de estudo. Já a amostragem casual estratificada é assim denominada quando as unidades amostrais são selecionadas aleatoriamente dentro de cada estrato. Se comparada à amostragem casual simples, apresenta duas vantagens básicas. A primeira possibilita o cálculo individual das estimativas da média e da variância por estratos; a segunda aumenta a precisão das estimativas.
De acordo com SOARES (2006) a amostragem casual estratificada consiste na divisão das populações florestais em subpopulações mais homogêneas em termos de distribuição da característica de interesse, denominadas estrato, dentro dos quais se realiza a distribuição das unidades de amostra.
Dessa forma, para se realizar os cálculos dos parâmetros estatísticos da amostragem, considerando a variável de interesse o volume de biomassa, será necessário definir a equação volumétrica, a área total de manejo (ou supressão) o erro de amostragem (%) admissível e o nível de probabilidade para o cálculo. A definição das equações deverá ser baseada no bioma e tipologia florestal em que a área de estudo está inserida, podendo considerar ainda o estágio de sucessão e interferência antrópica na vegetação.
Florística
A florística do inventário florestal consiste em enumerar a relação das espécies botânicas visualizadas em campo, o número de indivíduos por espécie e porcentagem do número de indivíduos do número total amostrado. Dessa forma é possível verificar a riqueza de cada espécie. É muito usual apresentar também, a riqueza dos gêneros e famílias botânicas.
Diversidade
Segundo SOUZA (1998) diversidade abrange dois diferentes conceitos: riqueza e uniformidade. Riqueza refere-se ao número de espécies presentes na flora e, ou, na fauna, em uma determinada área. Uniformidade refere-se ao grau de dominância de cada espécie, em uma área. Em princípio, diversidade pode ser mensurada, considerando-se qualquer componente biológico. Existem vários índices de quantificação da diversidade de um ecossistema, os quais possibilitam inclusive comparação entre os diferentes tipos de vegetação. Entre esses índices, podemos citar: Índice de Diversidade Ecológica de Shannon-Weaver, Índice de Diversidade Ecológica de Simpson, Equabilidade de Pielou, Coeficiente de Mistura de Jentsch e estimativas de Jackknife para índice de diversidade de Shannon-Weaver, todos calculados pelo Software Mata Nativa 4.
Estrutura Horizontal
A análise da estrutura horizontal abrange os parâmetros, densidade ou abundância, que é o número de indivíduos de cada espécie na composição florística do povoamento; dominância, que se define como a medida da projeção do corpo da planta no solo (área basal por hectare); frequência, que mede a distribuição de cada espécie, em termos percentuais, sobre a área; índice do valor de cobertura, que é a soma das estimativas de densidade e dominância; e índice do valor de importância, que é a combinação, em uma única expressão, dos valores relativos de densidade, dominância e frequência.
Estrutura Vertical
As estimativas dos parâmetros da estrutura vertical, somados às estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal propiciam uma caracterização mais completa da importância ecológica das espécies no povoamento florestal. Os parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical abrangem a posição sociológica, que fornece a composição florística dos diferentes estratos verticais do povoamento. Dessa forma, para estudar a posição sociológica de cada espécie na comunidade vegetal é necessário, primeiro, estabelecer estratos de altura total dos indivíduos, depois, calcular o valor fitossociológico de cada estrato e, por fim, obter as estimativas dos valores absoluto e relativo da posição sociológica.
Estrutura Diamétrica
A distribuição diamétrica serve para caracterizar tipologias vegetais, estágios sucessionais, inicial, médio, secundário, avançado e primário ou clímax, estados de conservação da floresta, regimes de manejo, processos de dinâmicas de crescimento e produção, grupos ecológicos de espécies (pioneira, secundária inicial, secundária tardia e clímax), grupos de usos (comercial, potencial, outros) e, também é utilizada como guias de corte e, sobretudo, como verificador de sustentabilidade ambiental de manejo.
Conceitua-se distribuição diamétrica como sendo a distribuição do número de árvores por hectare ou densidade absoluta da comunidade florestal por classe de diâmetro. (SOUZA, 1998). A estrutura diamétrica da espécie é a distribuição do número de árvores por hectare, por espécie e por classe de diâmetro.
Estrutura Paramétrica
A estrutura paramétrica de uma área de estudo é analisada em termos das estimativas dos parâmetros: números de árvore ou densidade absoluta, área basal por hectare ou dominância absoluta e volume por hectare ou volume absoluto, respectivamente por classe de diâmetro. Os parâmetros densidade, dominância e volume são estimados geralmente, por espécie e por classe de diâmetro. Contudo os referidos parâmetros podem ser estimados em combinação com as variáveis qualitativas (grupo ecológico de espécies, classe de infestação de cipós, classe de fuste, grupos de usos, classes de danos, etc.).
Para analisar a estrutura paramétrica, primeiro, os dados de diâmetro das árvores amostras são agrupados em classes, com uma determinada amplitude, onde os parâmetros densidade, dominância e volume são estimados e agrupados nas respectivas classes de diâmetro. Em geral, adota-se amplitude de 5,0 cm quando se refere a uma floresta secundária em estágio inicial ou médio de regeneração e amplitude de 10,0 cm, se referir a uma floresta em estágio secundário avançado de regeneração ou em estágio primário (clímax).
O Software Mata Nativa 4 realiza todas as análises supracitadas com agilidade e precisão, fazendo desse sistema para processamento de inventários florestais e elaboração de planos de manejo florestal o mais completo software do mercado.
Referências bibliográficas:
  • SOARES, C. P. B., NETO, F. de P.; SOUZA, A. L. Dendrometria e Inventário Florestal. Viçosa: Editora UFV, 2006. 276p.
  • SOUZA, A. L. de. Estrutura, dinâmica e manejo de florestas naturais. 1998. 96p. (Notas de aula de ENF 343). UFV, Viçosa, 1998.
Escrito por Marcelo Christovam Simões
Data de Publicação: 12/12/2016
Fonte: Portal do Agronegócio

sábado, 18 de junho de 2016

Pequena empresa de Rondônia compete com gigantes do setor mundial de madeira

Descobrimos a quatro anos atrás que o segredo desse mercado é a agregação de valor ao produto final

Carregamento de teca no município de Cacoal-RO.
Cacoal, 18 de junho de 2016 - Após dez anos de atividades a Amazonteca começa a competir de igual para igual com grandes fornecedores de madeira importada, comercializando madeira beneficiada de teca a aproximadamente U$ 10 mil Dólares por m3, algo impensado até alguns anos. 

Nós entramos meio que sem querer no segmento de comercialização de madeira plantada no ano de 2005, quando compramos uma pequena plantação na região de Ouro Preto do Oeste em Rondônia, mas iniciamos as atividades somente em 2007, mas como a legislação para o setor de floresta plantada era a mesma do setor de floresta nativa, penamos durante anos, com a burocracia dos órgãos reguladores, somente com Decreto Lei no. 15.933/2011 do ex-deputado Jaques Testôni houve uma flexibilização do setor.

Passada a fase da regularização, tentamos buscar mercado, sem sucesso. O mercado interno não conhecia a teca nacional e preferia a importada pelo alto padrão de qualidade. Após três anos de tentativas e erros, resolvemos mapear, cadastrar e capacitar os produtores de teca de Rondônia para um correto manejo, um trabalho árduo e complicado pois não tínhamos recursos para esse trabalho e precisávamos visitar pelo menos 20 municípios. Aceitamos o desafio e durante dois anos realizamos esse trabalho, com foco nos municípios onde os plantios estavam mais concentrados, região de Ji-Paraná, Ouro Preto, Colorado do Oeste e Espigão d'Oeste.

Blocos de teca (exportação)
Após essa fase reiniciamos a prospecção de novos clientes para a madeira de teca local, dessa vez resolvemos utilizar a Internet para buscar clientes no mercado internacional para madeira bruta e semi bruta, ou seja, toras (logs) e blocos descascados (hough square). E em 2010 nos deparamos com compradores asiáticos e/ou seus intermediários em países europeus. Iniciamos as primeiras negociações mas devido a nossa inexperiência nesse mercado, novamente não fizemos bons negócios. 

No início de 2013 voltamos a negociar madeira beneficiada para clientes de Portugal e Alemanha, mas para atender o aumento da demanda precisamos aumentar a nossa produção, terceirizamos tudo, mas uma vez cometemos outro erro, a qualidade caiu e não conseguimos cumprir prazos acordados. Perdemos aproximadamente U$ 50 mil dólares em dinheiro e três grandes clientes europeus.

Produção de pranchas (Móveis)
Retomamos o mercado interno ainda no final de 2013, resolvemos prospectar clientes novamente no mercado interno, focando grandes construtoras, arquitetos renomados, indústria de móveis de luxo e indústria náutica, entre outros. Nesse primeiro ano conseguimos conquistar apenas um cliente, mesmo assim tivemos muita dificuldade para atendê-lo, a exigência era muito grande. Não tínhamos profissionais experientes e muito menos equipamentos adequados. Atualmente apesar da crise que serpenteia pelo país temos expandido os nossos negócios tanto no mercado interno, como no mercado internacional.

Embora haja um fator que muito nos preocupa apesar do aumento da demanda e consequentemente do grande número de compradores que chegaram ao estado nos últimos três anos, não estamos vendo os nossos produtores motivados para o cultivo de florestas plantadas, mesmo apesar das facilidades de créditos dos bancos oficiais, com taxa de juros muito boas e prazos de carências de até 15 anos para começar a pagar. Apesar da madeira de teca ter se tornado um importante item da pauta de exportação do estado, não estamos percebendo investimento governamental no setor.

Deck náutico de teca (exportação)
Eis a razão dessa pequena estória, também mostrar aos pequenos e médios produtores rurais, que a demanda por madeira cresce 20% ao ano e portanto a silvicultura ainda é um excelente negócio na região, até porque nosso solo é altamente propício para o cultivo florestal, em especial a teca (Tectona grandis) com crescimento médio na região que chegam a 18 m3/ha ano, aproximadamente 450 m3 durante ciclo de 25 anos. Considerando o valor médio pago em Rondônia, para madeira tipo exportação é de U$ 300/400,00 m3. No Brasil o mercado de teca ainda é incipiente, mas vem crescendo a passos largos apesar da crise nacional.

Nós pretendemos nos especializarmos ainda mais no segmento para atendermos a demanda crescente e as exigências do mercado. 

Texto: Paulo S. Oliveira - Diretor Comercial (Amazonteca)

sábado, 28 de maio de 2016

Aumenta a demanda por madeira de florestas plantadas no Brasil

Madeira de primeiro desbaste em reflorestamento de teca
A madeira produzida a partir de florestas plantadas tem comprador certo, reflexo da expectativa de aumento da demanda por parte das indústrias siderúrgicas e de outros setores, como a construção civil. Outro fator que vai resultar no aumento da procura por madeira reflorestada é a proibição, nos próximos anos, da queima de madeira nativa nos fornos das indústrias siderúrgicas. Para discutir as oportunidades e o potencial desse mercado, a Associação dos Reflorestadores do Tocantins (Aretins) organizou para hoje (9) e amanhã (10) o 1º Congresso Florestal do Tocantins – Tocantins Florestal.
Durante dois dias, especialistas de vários Estados discutirão, em Palmas (TO), questões técnicas e as condições de mercado para a madeira produzida a partir de áreas reflorestadas. A demanda por madeira produzida no Tocantins está aquecida e as perspectivas são promissoras para os próximos anos. A madeira produzida no Estado abastece parte da demanda de dois pólos siderúrgicos instalados nos municípios de Açailândia (MA) e de Marabá (PA) que reúnem cerca de 20 siderúrgicas.
Hoje, as siderúrgicas ainda têm autorização para queima de árvores nativas, prática que provavelmente será banida nos próximos anos devido às pressões ambientais. “Se 100% do consumo dessas indústrias fosse atendido com madeira de reflorestamento, elas demandariam, por ano, aproximadamente 90 mil hectares de florestas”, afirma o vice-presidente da Aretins, Irajá Abreu.
Dados da associação mostram que 50 mil hectares são ocupados com florestas plantadas hoje no Tocantins. Em todo o País, a área total ocupada com eucalipto e pinus somou 6,310 milhões de hectares em 2009, de acordo com dados da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf).
De acordo com especialistas, as condições de clima e solo garantem ao Brasil uma situação mais competitiva em relação a outros países no segmento de florestas plantadas. Aqui, uma árvore de reflorestamento atinge o ponto ideal de corte num prazo de sete anos. Nos países da Europa, o corte só pode ser feito com 30 anos. “O Brasil desponta como país potencial para a atividade de florestas plantadas”, afirma o vice-presidente da ABRAF.
O País tem outros diferenciais em relação aos demais países. “Os solos férteis, o clima, e o regime de chuvas daqui são ideais para o plantio de eucalipto”, lembra Irajá Abreu. A posição geográfica do Estado facilita a venda da madeira para o mercado interno e para a exportação, escoamento facilitado pela logística de transporte. O baixo preço da terra em relação a outros Estados também é um atrativo para os investimentos. Há, também, políticas específicas de incentivos fiscais e financiamentos para o reflorestamento.
Fonte: Amanbaí Notícias

sexta-feira, 4 de março de 2016

Compensado de Paricá na 2ª Expo Madeira & Construção

O objetivo é mostrar aos visitantes as potencialidades do produto para o mercado comprador e posicionar a marca “compensado de Paricá” como uma opção sustentável, de qualidade e acessível

Como parte das ações de promoção do compensado de Paricá junto ao mercado, o grupo de empresas fabricantes do produto associadas à Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) terá um stand na 2ª Expo Madeira & Construção que será realizada de 9 a 11 de março, em Curitiba (PR), dentro da Lignum Brasil. O objetivo é mostrar aos visitantes as potencialidades do produto para o mercado comprador e posicionar a marca “compensado de Paricá” como uma opção sustentável, de qualidade e acessível.
Para dar suporte às ações de divulgação do produto e participação em eventos, a Abimci lançou, no final do ano passado, o Catálogo Promocional do Compensado do Paricá, que estará disponível durante a Expo Madeira & Construção. O documento padroniza e define categorias, leva informação ao consumidor, pré-qualifica o produto, agrega valor às marcas, orienta quanto ao uso e aplicações, além de reforçar o espírito associativo.
A partir de alguns levantamentos realizados junto ao mercado, o grupo de fabricantes vislumbra um cenário bastante favorável para o compensado de Paricá, principalmente junto a lojas e revendas de materiais de construção. O objetivo com todo esse trabalho é aumentar a participação do produto nos pontos de venda e estimular o consumo.
Fonte: Portal do Agronegócio

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

FSC® lança nova ferramenta de negócios

Produtos certificados FSC ganham maior credibilidade
Marketplace conecta compradores e vendedores de produtos certificados FSC.

Na sexta-feira em que se comemora o FSC Friday, o dia do manejo florestal responsável, o FSC lança oficialmente no Brasil uma nova ferramenta que vai facilitar a procura por produtos que respeitam o meio ambiente e as pessoas, o FSC Marketplace.

Em todo o mundo, mais e mais pessoas e empresas estão escolhendo artigos certificados pelo FSC. Agora, de produtores florestais comunitários aqui no Brasil ou na Tanzânia a fabricantes de móveis na China ou no Canadá, o Marketplace fortalece as redes, reunindo compradores, fornecedores e comerciantes. Já são mais de oitenta organizações brasileiras registradas e mais de 640 no mundo todo!

O Marketplace é uma plataforma on-line e internacional, interativa e autoexplicativa, que conecta compradores e vendedores de produtos certificados FSC. Lá, pode-se encontrar artigos de toda a cadeia, de comunitários, pequenos e grandes produtos, de todos os setores. Há toras, tábuas, compensados, pisos, móveis, papel, etc..

A iniciativa surgiu em resposta a uma crescente demanda por informações a respeito das operações certificadas e à necessidade de facilitar esse contato entre quem produz e quem quer comprar com responsabilidade. Qualquer detentor de certificado FSC pode se registrar inserindo informações sobre sua organização, link do site institucional, logo e fotos dos produtos com o selo verde.

O FSC sempre esteve focado nos produtores das florestas, fabricantes e revendedores, mas agora em 2015 deu um passo adiante em seus esforços de comunicação e marketing para alcançar os consumidores finais e informá-los sobre como, ao escolher produtos certificados FSC, eles podem contribuir para garantir que as florestas vivam para sempre. O Marketplace chega para fazer com que mais intenções virem ações.

Para mais informações, http://marketplace.fsc.org/

Fonte: Madeira Total

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Exportações de produtos de madeira devem chegar a US$ 3 bilhões em 2015

Setor ainda se recupera da queda de quase 50% do valor anual de exportações, causada pela crise econômica de 2008

O valor das exportações brasileiras de produtos de madeira deve chegar a US$ 3 bilhões em 2015, o que representa um aumento de cerca de 30% em relação a 2014. O volume de exportações dos dois principais produtos do setor, a madeira serrada e os compensados de pinus, cresceram, respectivamente, 21% e 16%.

A estimativa de crescimento foi calculada pela Tree Trading, empresa que atua no setor a nível nacional e internacional, baseado em dados da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (ABIMCI) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Para o presidente da companhia, Marco Tuoto, dois fatores contribuíram para o aumento no volume de exportações neste ano e no passado: a valorização do dólar e a desaceleração da economia brasileira. “Com o dólar valendo mais, obviamente, o lucro sobre produtos exportados aumenta. Aliado a isso, a desaceleração econômica no Brasil inviabilizou que muitas empresas continuassem operando só a nível nacional e as obrigou a procurar alternativas nos mercados exteriores”, explicou Tuoto.

O crescimento previsto para 2015 não é um ponto fora da curva. Desde 2013, o mercado de exportações de produtos de madeira se recupera dos efeitos da crise econômica que abalou a economia mundial, principalmente, entre 2008 e 2010 (confira o gráfico abaixo).

Dados: ABIMCI e SECEX

Para Marco Tuoto, mais alguns anos serão necessários para que o volume de exportação de madeira brasileira volte aos patamares pré-crise: “Estamos no caminho. Em 2015, voltaremos ao patamar de 2005. Em dois ou três anos, creio que voltaremos aos volumes de 2006 e 2007”.

O Brasil é o maior produtor mundial de pinus. No país, as plantações dessa espécie de pinheiro ocupam aproximadamente 404 mil hectares. Os Estados Unidos, segundo maior produtor da árvore, têm cerca de 171 mil hectares plantados.

Fonte: Portal do Agronegócio

domingo, 21 de junho de 2015

Teca é nova opção na indústria mundial

Plantio de teca em Espigão d'Oeste - Rondônia
A Teca vem se tornando muito usual na indústria moveleira e de decoração, tanto para cozinhas e salas de estar como para ambientes especiais como uma adega ou um espaço para descanso e leitura, ou mesmo um jardim. A espécie veio do oriente, e hoje é cultivada em vários países, inclusive no Brasil. A multiplicidade de usos e a beleza tornam esta madeira uma excelente escolha.

Teca é o nome popular da Tectona grandis, árvore nativa na Ásia cuja madeira é utilizada há séculos na Índia, Indonésia, Tailândia e outros países asiáticos. Atualmente a árvore é cultivada também no Brasil, principalmente no Mato Grosso e o plantio comercial avança para os estados da região Norte.

A madeira é nobre e foi muito utilizada pelos antigos povos colonizadores do oriente, para confecção de embarcações, devido a sua alta resistência as intempéries. Porque pode ser exposta a ação do sol e da chuva e apresenta excelente durabilidade nessa situação, a madeira passou a ser utilizada na execução de móveis externos, para varandas e jardins. É uma das espécies tropicais mais cultivadas em reflorestamentos comerciais em diversos países no mundo, atualmente.

Porta de teca em empresa madeireira(RO.)
A madeira tem um aspecto muito bonito, em tom marrom-dourado, que pode escurecer quando exposto ao ar livre, passando a um marrom um pouco mais escuro. De veios homogêneos, pode ser usada tanto para mobiliário de luxo em interiores, quanto para obras imersas ou expostas à água, devido a sua alta resistência a esse tipo de exposição. Possui uma espécie de látex em seu interior, que é capaz de evitar a corrosão nos pregos e ferragens utilizados em seu interior. Esse recurso ainda permite maior durabilidade de móveis e elaborados em teca.

Além da durabilidade e estabilidade, a madeira também apresenta alta resistência ao ataque de cupins, brocas marinhas e outros insetos. Talvez, por isso mesmo os antigos já a utilizavam em construções de embarcações.

Fácil de trabalhar, praticamente não racha e não trinca, a madeira é moderadamente pesada, com densidade de 0,65gr/cm³, recomendada para mobiliário em geral. Sua resistência fica mais por conta de sua durabilidade e exposição ao sol e chuva, do que propriamente resistência estrutural. Dessa forma, sua utilização concentra-se mais para mobiliário e alguns pisos e decks de médio tráfego.

A árvore só pode ser cultivada em áreas tropicais mas possui grande demanda principalmente no continente europeu, superando os preços do mogno no exterior, a madeira Teca é usada principalmente na fabricação de esquadrias, devido a sua forte resistência à exposição ao tempo. Também é consumida na produção de móveis, embarcações e decorações.

Planta rústica, de rápido crescimento e muito resistente ao fogo, a pragas e a doenças, a árvore tem forte potencial exportador, sobretudo nos países europeus. A tora de desbaste, com diâmetros entre 15 e 20 centímetros, pode ser comercializada no exterior a preços que variam de US$ 700 e US$ 1.200 ao m³. A Teca destaca-se frente a outras espécies nativas pela rusticidade e rápido crescimento em altura.

Na lista das espécies requisitadas pelo mercado internacional, a teca é nativa das florestas tropicais do Sudeste Asiático. É árvore de grande porte, podendo alcançar 2,50 metros de diâmetro e 50 metros de altura. Seu tronco é habitualmente retilíneo, de seção circular e reduzida conicidade. A casca é gretada e de cor cinza ou marron, mede cerca de 15 mm e é considerada termo isolante, com resistência ao fogo.

As folhas, de inserção oposta, podem alcançar 60 x 80 cm e as flores de cor creme, são pequenas, numerosas e encontram-se reunidas em inflorescências do tipo panícula (forma piramidal). A floração é intensa e inicia cerca de um mês após as primeiras chuvas, estendendo-se por mais de 60 dias. O fruto é uma drupa, mede de 1 a 2 cm de diâmetro e pode conter até quatro sementes.

A Teca é uma espécie que ocupa com velocidade as clareiras abertas na floresta, é também uma planta heliófita (exige plena exposição à luz solar), não tolerando qualquer forma de sombreamento. Seu crescimento inicial em altura é muito rápido, chegando aos três metros no primeiro ano e aos cinco metros, ou mais, no segundo, o que torna a espécie muito viável comercialmente.

Qualidade

Carregamento de teca em Cacoal - Rondônia
A madeira da Teca é procurada no mercado internacional, por suas características, como o peso de cerca de 650 quilos por metro cúbico, situando-se entre o cedro e o mogno. Possui boa resistência em relação ao peso, quanto à tração, flexão e outros esforços mecânicos é semelhante ao mogno brasileiro. Para a produção de móveis, especialmente cadeiras, que necessitam de constante deslocamento, a espécie apresenta resistência e ao mesmo tempo leveza.

É uma madeira estável, praticamente não empena e pouco se contrai durante a secagem, além de resistir às variações na umidade do ambiente. Trata-se de uma propriedade essencial no caso de portas, janelas e gavetas, permitindo que abram, fechem e corram sem dificuldades. 

A teca é durável, pois seu cerne não é atacado por cupins, carunchos ou outros insetos. É imune à ação dos fungos apodrecedores de madeira, podendo ser enterrada, exposta ao tempo ou à água do mar, sem sofrer danos. A durabilidade do cerne deve-se a "tectoquinona", um preservativo natural contido nas células da madeira. Na Europa é bastante comum o uso de bancos e outros móveis de jardim produzidos em teca, expostos ao tempo, sem a proteção de óleo, tinta ou verniz. Neste caso, a madeira adquire coloração acinzentada com o tempo. 

A Tectona grandis é uma árvore de grande porte, nativa das florestas tropicais situadas entre 10° e 25°N no subcontinente índico e no sudeste asiático, principalmente na Índia, Burma, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã e Java. Devido a sua dispersão geográfica e à variedade de ambientes onde ocorre naturalmente, a teca é uma espécie de alta adaptabilidade com dispersão vertical entre 0 e 1300m acima do nível do mar, ocorrendo em áreas com precipitação anual de 800 a 2500 mm, e temperaturas extremas de 2°a 42°C, porém não resiste à geada. 

A teca é cultivada desde o século XVIII, quando os britânicos demandavam grandes quantidades de madeira para construção naval. No sul da Ásia, a cultura de teca é tradicional, sendo a espécie cultivada em grande escala. Atualmente, a área mundial plantada excede os 3 milhões de hectares, incluindo, além dos asiáticos - maiores produtores -, outros países tropicais, como: Togo, Camarões, Zaire, Nigéria, Trinidad, Honduras e Brasil, entre outros.

Apesar de poder ser cultivada apenas em regiões tropicais, a madeira de teca é muito procurada principalmente no continente europeu. Mundialmente, a teca é apreciada pela qualidade de sua madeira, bem como pela sua rusticidade.

A Tectona grandis L.f. pertence à família botânica Verbenaceae. As folhas, que podem ter disposição oposta a verticilar em grupos de três, são coriáceas e medem de 30 a 60cm de comprimento por 20 a 35cm de largura. Os limbos são largos e elípticos, glabros na face superior e tomentosos na face inferior. As folhas amplas tornam a árvore sombreante desde a fase juvenil. 

As flores são pequenas, de coloração branco-amarelada e se dispõem em panículas de até 40 x 35cm. Os frutos são do tipo drupa, cilíndricos, de cor marrom e possuem diâmetro de aproximadamente 1cm. Cada fruto apresenta quatro cavidades, dentro das quais estão as sementes (uma por cavidade); porém, nem todas germinam. A primeira frutificação ocorre aos 5 ou 6 anos de idade.

Quando adulta, a árvore atinge entre 25 a 35m (raramente acima de 45m) de altura e diâmetro (DAP) de 100cm ou mais. Seu tronco é reto e revestido por uma casca espessa, resistente ao fogo. Perde as folhas durante a estação seca, pois trata-se de uma essência caducifólia.

A Madeira

Carregamento de teca serrada em blocos (04/2015)
O alburno é estreito e claro, bem distinto do cerne, cuja cor é marrom viva e brilhante. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliário fino. Além do efeito decorativo, a madeira de teca é utilizada para as mais diversas finalidades: construção naval, laminação e compensados, lenha e carvão vegetal; as duas últimas são específicas para as áreas de ocorrência natural.

A densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve, apresenta boa resistência a peso, tração e flexão, semelhante ao mogno brasileiro.

A madeira é estável; praticamente não empena e se contrai muito pouco durante a secagem. A estabilidade permite que a teca (madeira) resista à variação de umidade no ambiente.

A durabilidade é uma característica marcante dessa espécie. Até o momento são poucos os registros, nos países onde a teca é cultivada, de ataques de pragas que possam comprometer os plantios. A durabilidade do cerne deve-se a tectoquinona, um preservativo natural contido nas células da madeira.

O alburno é um material permeável, propriedade que facilita a aplicação de preservativos. Porém, esse tratamento somente é necessário quando a madeira ficar exposta ao tempo; ademais, o alburno possui todas as outras qualidades do cerne.

Tanto alburno, quanto cerne contém uma substância semelhante a um látex, denominado caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica as superfícies. Essa substância também confere resistência a ácidos e protege pregos e parafusos da corrosão.

Nos países onde a teca é explorada - de floresta nativa ou reflorestamento toda a madeira é aproveitada, incluindo as toras de pequeno diâmetro obtida nos desbastes. Painéis de sarrafos são utilizados para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também na produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno diâmetro é largamente usada na edificação de construções rústicas, como vigamento, esteio ou madeiramento do telhado.

Para Plantar Teca

O clima mais propício é o tropical úmido, caracterizado por verão chuvoso e inverno seco.
Deve-se atentar para os seguintes fatores: precipitação anual entre 1200 e 2500mm; período seco de 3 a 5 meses, coincidente com o período de temperaturas mais amenas. A qualidade da madeira depende desse período seco; A temperatura média anual deve estar acima de 22°C.

Os melhores crescimentos das mudas de teca ocorreram, quando as temperaturas diurnas variam entre 27°e 36°C e noturnas entre 22°e 31°C.

A teca é exigente em fertilidade de solo, que deve ser profundo (mais de 1.5 metros), permeável, bem drenado, mas com capacidade média a alta de retenção de água. Os solos de textura média são os mais indicados.

Um estudo de avaliação do estado nutricional, crescimento de teca e suas relações com os fatores de solo, mostrou que o melhor desenvolvimento está relacionado à riqueza dos nutrientes, matéria orgânica e pH próximo da neutralidade.

A teca é uma essência exigente em teores de bases trocáveis do solo, principalmente cálcio. Terrenos de maior declividade devem ser evitados, por problemas de erosão. Caso esse tipo de terreno seja utilizado, recomenda-se a construção de obras de conservação de solo (curvas de nível e terraços) e o uso das técnicas de cultivo mínimo.

A produção mundial é de, aproximadamente, 3 milhões de m³ por ano, sendo que a maior parcela é consumida pelo mercado interno dos países produtores. O mercado internacional consome cerca de 500 mil metros cúbicos, mas a oferta ainda é muito menor que a demanda. De acordo com análises de mercado, haverá aumento de demanda devido à melhoria no padrão de vida nos países em desenvolvimento. O decréscimo da oferta de outras madeiras tropicais que ocorrem em áreas naturais (como o mogno) e a conscientização ambiental dos consumidores, principalmente europeus, também são fatores decisivos para o aumento da demanda. 

O mercado brasileiro também é visto como um grande potencial de consumo, assim como de produção. Afinal, o Brasil possui áreas adequadas para plantio de teca e uma floresta tropical para preservar.

O países que mais produzem teca são: Indonésia, Mianmar e Sri Lanka. Os maiores importadores são: Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca, Emirados Árabes, EUA, Japão, Holanda, Itália e Reino Unido. Hong Kong e Cingapura são centros de manufatura e reexportação da teca de Mianmar.

A Índia e a Tailândia além de produzir, passaram a importar a teca, reconhecida em todo o mundo como madeira tropical dura e de alta qualidade, com preços estáveis e ascendentes no mercado internacional com franca expansão em áreas cultivadas, ainda não tem muitos estudos sobre os plantios com ciclos de corte mais curtos. Os reflorestamentos com teca na Amazônia foram inicialmente alavancados com o fim da reposição florestal, no curto prazo, mas a médio e longo prazo podem substituir as madeiras duras nativas.

Do total de 3 milhões de hectares plantados no mundo, cerca de 94% estão em zonas tropicais da Ásia, com 44% na Índia e 31% na Indonésia. Estima-se que 4,5 % das plantações estejam na África, especialmente na Costa do Marfim e Nigéria, 2,6 % na América Central (Costa Rica e Trinidad e Tobago e América do Sul (Brasil). No Brasil, o estado de Mato Grosso, com aproximadamente 50 mil ha plantados, detém cerca de 90% da área total plantada. No Acre, a área plantada é estimada em 2 mil ha, incluindo os sistemas agroflorestais.

Os melhores sítios atingem incrementos médios anuais (IMA) de 15 m³ por hectare/ano e produções entre 250 e 350 m³ por hectares/ano para uma rotação de 25 anos. Os custos de implantação para reflorestamento (estabelecido aos 2 anos) são estimados em US$ 800,00 por hectare/ano. Os prognósticos de preços para o mercado internacional para 2015 variam entre US$ 1,480 e US$ 1,850 por m3, dependendo da classe diamétrica.

Considerando-se a questão de sequestro de carbono na ótica do Protocolo de Kyoto, supondo um crescimento médio anual de 10 m3.ha.ano, e rotação de 30 anos, acumular-se-iam em torno de 100 toneladas de carbono. Ha, cerca de 80% do acumulado em florestas nativas. A expansão dos plantios de teca tem-se dado em sua maioria por pequenas indústrias madeireiras (consumo menor que 12 mil m3.ano) e pequenos agricultores, através de pequenas plantações ou sistemas agroflorestais, o que pode contribuir no futuro para a viabilizar a produção familiar.

Por outro lado, as plantações de teca em Myanmar (Ásia) sempre estiveram associadas a sérios impactos ambientais. As experiências passadas demonstraram graves problemas quanto a degradação química dos solos, perda de nutrientes, degradação do sítio florestal, redução do crescimento e rendimento dos plantios e infestação por pragas, quando implantados em sítios impróprios e ambientes desfavoráveis.

A Embrapa Acre acompanha através de parcelas permanentes o crescimento de plantios estabelecidos entre 1995 e 1999 para recomendações de desbastes, impactos de incêndios e avaliação da sustentabilidade econômica e ambiental.

Os plantios de teca em sítios adequados e com tecnologia adequada podem assumir um papel importante, dando aos reflorestamentos de grande, média e pequena escala, uma função ambiental, social, econômica e estrutural, reduzindo no longo prazo a pressão sobre os estoques naturais de madeira dura, tornando a indústria madeireira mais competitiva, além de inserir a produção familiar na cadeia produtiva de madeira.

Fonte: Revista da Madeira / Luís Cláudio de Oliveira: Engenheiro florestal, pesquisador, Aline Angeli e José Luis Stape: Departamento de Ciências Florestais - ESALQ/USP