domingo, 8 de janeiro de 2017

Guia para se tornar um expert em Inventário Florestal

Com o crescimento e disponibilidade da tecnologia, e também com a constante pressão dos órgãos ambientais, os inventários florestais se tornaram muito mais complexos e detalhados


O inventário de florestas nativas, durante muito tempo, foi realizado por meio de simples levantamento do número de indivíduos de grande porte, com a intenção de serem explorados, resultando numa visão simplista e às vezes equivocada da verdadeira condição de desenvolvimento do ecossistema onde está inserido.
Com o crescimento e disponibilidade da tecnologia, e também com a constante pressão dos órgãos ambientais, os inventários florestais se tornaram muito mais complexos e detalhados. Diante dessa nova visão, os inventários, que na maioria dos casos eram realizados para quantificação do volume de madeira existente na floresta, passaram a ser utilizados para determinação de outros parâmetros, como volume total, volume comercial, estágio sucessional da floresta, a avaliação da regeneração natural das espécies, e outras peculiaridades do inventário florestal.
De acordo com especialistas da área, o Inventário Florestal é um processo que visa disponibilizar as informações qualitativas e quantitativas dos recursos florestais existentes em uma determinada área.
Dessa forma, para execução de um Inventário Florestal, deve-se considerar o planejamento das ações no campo como, alocação das parcelas no mapa para definição de acessos e cronograma de ação; o levantamento de dados biofísicos a partir da alocação de parcelas amostrais, coleta dos dados no aplicativo Mata Nativa para realizar o cálculo do erro de amostragem e suficiência amostral em campo, bem como as análises críticas para definir impactos ambientais e ações mitigadoras, que irão compor o Relatório Técnico.
Diante do exposto, deve-se elaborar um plano de execução que deverá constar a definição da equipe técnica, definição da metodologia a ser utilizada, bem como o levantamento da legislação e normas técnicas aplicáveis, na esfera federal, estadual e municipal.
Posteriormente, deve-se realizar, através de dados secundários, o diagnóstico ambiental da área de estudo através de uma completa descrição e análise dos fatores ambientais físicos (relevo, hidrografia, solos e clima) e bióticos (flora e fauna) e suas interações, de modo a caracterizar de forma qualitativa a situação ambiental da área de estudo. Geralmente, para caracterização e identificação da flora são coletados dados primários e dados secundários. Para os demais fatores ambientais serão pesquisados apenas os dados secundários e confirmados com observações em campo.
Os dados secundários são obtidos através de estudos ambientais disponíveis já realizados nas áreas previstas para execução dos serviços. Essas informações são importantes para uma análise prévia da área de trabalho, possibilitando um planejamento mais eficiente das ações.
A obtenção de imagens de satélite georeferenciadas da área a ser inventariada é de suma importância para os trabalhos de campo, as quais encontram-se disponíveis através de softwares e aplicativos gratuitos. Tais imagens auxiliam na definição das áreas amostrais e a viabilidade de seus acessos.
Nesta etapa, a equipe deverá realizar uma avaliação prévia no trecho, observando acessos, estradas, cursos d’água, benfeitorias, fitofisionomias encontradas, feições específicas da região. Este mapa servirá de base para o planejamento da logística do trabalho de campo a partir da alocação das unidades amostrais.
É de grande importância realizar a delimitação das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como identificação de áreas degradadas e desflorestadas e possíveis corredores ecológicos e/ou conexões existentes com outros fragmentos.
Diante do exposto, o número de parcelas a serem alocadas em campo poderá ser definido através da porcentagem de amostragem. Como exemplo, uma área de 150 ha, considerando 1% a ser amostrada, e considerando parcelas de 500 m2, deverão ser alocadas 30 parcelas, ou seja, uma parcela para cada 5 ha. No entanto, este número poderá ser ajustado para atender o limite de erro de amostragem (E%) admissível pela legislação em vigor. Utilizando o aplicativo Mata Nativa Móvel o E% é calculado em campo, subsidiando a decisão para finalizar as atividades de campo.
Para demarcação das parcelas em campo, a equipe deve utilizar instrumentos métricos de precisão (trena física e/ou digital) e GPS para que todas as parcelas tenham mesma dimensão e possam ser georreferenciadas. Uma forma física de demarcar as parcelas é utilizando piquetes de madeira e fita zebrada, garantindo a localização para posterior vistoria do órgão de fiscalização. É muito importante a documentação através de fotos digitais para elaboração do relatório fotográfico.
Com o aplicativo Mata Nativa Móvel, é possível coletar as coordenadas geográficas do início e fim da parcela, no caso de formato retangular de unidades de amostra, e também salvar as fotos através do aplicativo, agrupando-as por parcelas.
Com as parcelas demarcadas, deverão ser coletados o CAP de acordo com o nível de inclusão de interesse (ex: CAP>15 cm), altura comercial e altura total dos indivíduos arbóreos presentes na parcela. Dependendo do objetivo do inventário, poderão ser coletadas informações qualitativas como, sanidade do fuste, tortuosidade e infestação por cipó. Também com o uso do aplicativo Mata Nativa Móvel, é possível medir a altura das árvores, através do celular.
O CAP deverá ser medido na altura de 1,3 m do solo utilizando-se um gabarito como referência. Entretanto, podem existir situações em que a medição deverá ser realizada imediatamente abaixo ou acima, no caso da presença de galhos, cipós ou outras formas de empecilhos que mascarem a real medida do fuste. Ao utilizar fita métrica para medir o CAP, é importante que a fita abrace todo o fuste de forma perpendicular evitando a interferência de galhos e nós.
É importante lembrar que a coleta de dados em campo deverá ser realizada com toda a equipe utilizando equipamento de proteção individual (EPI´s) com o objetivo de garantir a segurança da equipe e a perfeita execução dos trabalhos.
De posse das informações de campo, para realizar o processamento dos dados de forma rápida, precisa e confiável, a dica é utilizar o software Mata Nativa 4, o melhor e mais completo sistema para elaboração e processamento de inventários florestais. Os cálculos e resultados obtidos através do software atendem a legislação de todos os estados do território nacional.
O processamento dos dados coletados durante a campanha de campo de um inventário florestal pode ser considerada uma tarefa minuciosa e complicada, visto que envolve uma série de variáveis que serão utilizadas para cálculos e estimativas que irão compor os resultados do estudo.
A realização da coleta de dados em campo, basicamente, circunferência a altura do peito (CAP), altura total, nome vulgar, número da árvore sequencial dentro da parcela, número dos fustes em caso de árvores bifurcadas, irão compor os dados para processamento do inventário florestal.
Primeiramente, deverá ser realizada a identificação botânica dos indivíduos a partir de amostras vegetativas dos indivíduos, e com auxílio de consultas bibliográficas, conhecimentos técnicos de membros da equipe e comparações com trabalhos já realizados nas proximidades da área são de grande importância. Sempre que possível, a confirmação deve ser feita em herbários com a verificação de especialistas da área.
Com a lista de espécies fechada, a planilha de campo deverá passar por uma fina consistência dos dados, onde deverão ser conferidos os nomes científicos, a família botânica e nome vulgar, para que todos os nomes se encontrem com mesma ortografia, para que não haja duplicação de nomes. Posteriormente deverão ser conferidos os diâmetros e alturas, em busca de números que destoam da realidade observada em campo. Número de árvores e fustes também devem ser conferidos. No software Mata Nativa 4 a consistência dos dados é realizada durante a importação dos dados, e indica a linha onde contém erro para que possa ser corrigido, o que torna uma funcionalidade diferenciada da versão 4.
Após a minuciosa consistência dos dados, o processamento consiste em realizar os cálculos e estimativas como Amostragem, Florística, Diversidade, Estrutura Horizontal, Estrutura Vertical, Estrutura Diamétrica e Estrutura Paramétrica da população, dentre outras análises que podem ser realizadas.
Amostragem
A amostragem casual simples consiste na alocação de parcelas de forma aleatória visando representar do a área de estudo. Já a amostragem casual estratificada é assim denominada quando as unidades amostrais são selecionadas aleatoriamente dentro de cada estrato. Se comparada à amostragem casual simples, apresenta duas vantagens básicas. A primeira possibilita o cálculo individual das estimativas da média e da variância por estratos; a segunda aumenta a precisão das estimativas.
De acordo com SOARES (2006) a amostragem casual estratificada consiste na divisão das populações florestais em subpopulações mais homogêneas em termos de distribuição da característica de interesse, denominadas estrato, dentro dos quais se realiza a distribuição das unidades de amostra.
Dessa forma, para se realizar os cálculos dos parâmetros estatísticos da amostragem, considerando a variável de interesse o volume de biomassa, será necessário definir a equação volumétrica, a área total de manejo (ou supressão) o erro de amostragem (%) admissível e o nível de probabilidade para o cálculo. A definição das equações deverá ser baseada no bioma e tipologia florestal em que a área de estudo está inserida, podendo considerar ainda o estágio de sucessão e interferência antrópica na vegetação.
Florística
A florística do inventário florestal consiste em enumerar a relação das espécies botânicas visualizadas em campo, o número de indivíduos por espécie e porcentagem do número de indivíduos do número total amostrado. Dessa forma é possível verificar a riqueza de cada espécie. É muito usual apresentar também, a riqueza dos gêneros e famílias botânicas.
Diversidade
Segundo SOUZA (1998) diversidade abrange dois diferentes conceitos: riqueza e uniformidade. Riqueza refere-se ao número de espécies presentes na flora e, ou, na fauna, em uma determinada área. Uniformidade refere-se ao grau de dominância de cada espécie, em uma área. Em princípio, diversidade pode ser mensurada, considerando-se qualquer componente biológico. Existem vários índices de quantificação da diversidade de um ecossistema, os quais possibilitam inclusive comparação entre os diferentes tipos de vegetação. Entre esses índices, podemos citar: Índice de Diversidade Ecológica de Shannon-Weaver, Índice de Diversidade Ecológica de Simpson, Equabilidade de Pielou, Coeficiente de Mistura de Jentsch e estimativas de Jackknife para índice de diversidade de Shannon-Weaver, todos calculados pelo Software Mata Nativa 4.
Estrutura Horizontal
A análise da estrutura horizontal abrange os parâmetros, densidade ou abundância, que é o número de indivíduos de cada espécie na composição florística do povoamento; dominância, que se define como a medida da projeção do corpo da planta no solo (área basal por hectare); frequência, que mede a distribuição de cada espécie, em termos percentuais, sobre a área; índice do valor de cobertura, que é a soma das estimativas de densidade e dominância; e índice do valor de importância, que é a combinação, em uma única expressão, dos valores relativos de densidade, dominância e frequência.
Estrutura Vertical
As estimativas dos parâmetros da estrutura vertical, somados às estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal propiciam uma caracterização mais completa da importância ecológica das espécies no povoamento florestal. Os parâmetros fitossociológicos da estrutura vertical abrangem a posição sociológica, que fornece a composição florística dos diferentes estratos verticais do povoamento. Dessa forma, para estudar a posição sociológica de cada espécie na comunidade vegetal é necessário, primeiro, estabelecer estratos de altura total dos indivíduos, depois, calcular o valor fitossociológico de cada estrato e, por fim, obter as estimativas dos valores absoluto e relativo da posição sociológica.
Estrutura Diamétrica
A distribuição diamétrica serve para caracterizar tipologias vegetais, estágios sucessionais, inicial, médio, secundário, avançado e primário ou clímax, estados de conservação da floresta, regimes de manejo, processos de dinâmicas de crescimento e produção, grupos ecológicos de espécies (pioneira, secundária inicial, secundária tardia e clímax), grupos de usos (comercial, potencial, outros) e, também é utilizada como guias de corte e, sobretudo, como verificador de sustentabilidade ambiental de manejo.
Conceitua-se distribuição diamétrica como sendo a distribuição do número de árvores por hectare ou densidade absoluta da comunidade florestal por classe de diâmetro. (SOUZA, 1998). A estrutura diamétrica da espécie é a distribuição do número de árvores por hectare, por espécie e por classe de diâmetro.
Estrutura Paramétrica
A estrutura paramétrica de uma área de estudo é analisada em termos das estimativas dos parâmetros: números de árvore ou densidade absoluta, área basal por hectare ou dominância absoluta e volume por hectare ou volume absoluto, respectivamente por classe de diâmetro. Os parâmetros densidade, dominância e volume são estimados geralmente, por espécie e por classe de diâmetro. Contudo os referidos parâmetros podem ser estimados em combinação com as variáveis qualitativas (grupo ecológico de espécies, classe de infestação de cipós, classe de fuste, grupos de usos, classes de danos, etc.).
Para analisar a estrutura paramétrica, primeiro, os dados de diâmetro das árvores amostras são agrupados em classes, com uma determinada amplitude, onde os parâmetros densidade, dominância e volume são estimados e agrupados nas respectivas classes de diâmetro. Em geral, adota-se amplitude de 5,0 cm quando se refere a uma floresta secundária em estágio inicial ou médio de regeneração e amplitude de 10,0 cm, se referir a uma floresta em estágio secundário avançado de regeneração ou em estágio primário (clímax).
O Software Mata Nativa 4 realiza todas as análises supracitadas com agilidade e precisão, fazendo desse sistema para processamento de inventários florestais e elaboração de planos de manejo florestal o mais completo software do mercado.
Referências bibliográficas:
  • SOARES, C. P. B., NETO, F. de P.; SOUZA, A. L. Dendrometria e Inventário Florestal. Viçosa: Editora UFV, 2006. 276p.
  • SOUZA, A. L. de. Estrutura, dinâmica e manejo de florestas naturais. 1998. 96p. (Notas de aula de ENF 343). UFV, Viçosa, 1998.
Escrito por Marcelo Christovam Simões
Data de Publicação: 12/12/2016
Fonte: Portal do Agronegócio

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